sexta-feira, setembro 15, 2006

Os Três atos de Gravatinha

Divina, profética, heróica e mais do que qualquer coisa, óbvia, a vitória tricolor ontem sobre a estrela solitária. Como havia dito, ontem seria dia de Pó de Arroz, e para celebrar minha maioridade ao máximo, a ajuda dos céus foi necessária, para obtenção de tal feito.
Chances perdidas, bolas na trave, tudo aconteceu naquela partida para nosso tricolor, menos o gol. Então como o mais velho provérbio do futebol diz, '' quem não faz, leva'', assim foi. Próximos aos quarenta minutos das segunda etapa, o alvi-negro consegui uma falta pela esquerda da defesa tricolor. Corações tricolores batendo em máxima velocidade. O Nervosismo era a imagem das arquibancadas verde e grená. Júnior César bate a falta para a meiuca da área, e a bola bate suavemente no chão, e segue trajetória direta para o fundo das redes tricolores. Gol do Botafogo. Metade do estádio se emudeceu.
Todavia, a esperança sempre esteve no meu grito durante todo o decorrer da partida. Era o meu dia, nada podia dar errado, muito menos derrota de minha paixão. Foi ai tricolores, que começou a obra do divino, do sobrenatural.
Na boca do anel superior do Maracanã, na parte em que o Flu localizava-se, um sinal iluminado aconteceu. As luzes pareciam tomar vida, estavam mais fortes, uma áurea pairava sobre a torcida do Fluminense.
Estavam todos sem força para gritar, e aos 48 minutos do segundo tempo, Gravatinha, sumido, resolveu aparecer para decidir a partida. Bola para Pet no meio de campo. Ele visualiza, e com um passe mais que presciso deixa Marcão em frente a área. O Guerreiro sutilmente corta para o meio e coloca com a máxima categoria nos fundos da redes, até então invictas. Gol de Gravatinha! Os fiéis não acreditaram. Saltavam , rezavam, choravam, era um misto de emoções pelas arquibancadas. Eu já sabia, ali estava uma obra do acaso. Nada explicaria aquilo, que foi no mínimo, inexplicável.
Termina o jogo. Empate que levaria aos penaltis. Agora bastava saber aonde seriam efetuadas as cobranças. E não foi que o a áurea tricolor ganhou?
Começam as cobranças, e atrás do gol de Diego acomodavam-se torcedores vivos e mortos. Inacreditável.
Gravatinha resolveu então fazer seu segundo ato naquela noite. O alvi-negro caminhou até a bola, e o personagem tricolor simplesmente assoprou sua bola para cima, isso mesmo uma leve brisa empurrou a bola à baliza! Divino!
Não satisfeito, ele resolveu dar o golpe final ao Botafogo.
Quarto e penúltimo penalti. Eu na última cadeira do anel superior. Não rezava mais, eu convocava todos os tricolores para que fizessem uma muralha naquele gol. Mas não prescisou. William encaminhava-se para o penalti, e Gravatinha, com malícia puxou a perna do jogador fazendo com que ele tivesse que trocar de perna do último segundo, antes da batida. Não deu outra. O resultado foi um chute pífio, patético, e de máxima displicência pelo jogador, resultando na fácil defesa de Diego.
Orgasmo nas arqubancadas! Jogadores não acreditavam no que acontecia... tudo era inexplicável, menos para mim. Já havia previsto isso, e sabia que atrás de tudo aquilo, havia um dedo mágico de Nelson Rodrigues.
Obrigado a todos os Tricolores que estavam ontem no Maracanã, foi uma festa de aniversário de 18 anos inesquecível.


Dedicado a Cecil Borer e Nelson Rodrigues.

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